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Estão sendo tecidos (2013/2018)

Helô Sanvoy

(Goiânia, Brasil, 1985)

Estão sendo tecidos (2013/2018) consiste no registro (com estética caseira) em vídeo de minha mãe Maria Conceição trançando meu cabelo, enquanto conversa comigo e com minha esposa Dheyne de Souza sobre acontecimentos de sua infância, como o trabalho em diferentes lavouras, o convívio e os costumes da família, a convivência com descendentes de escravizados e pessoas que viveram nessa situação, as condições de trabalho, a dificuldade da vida no interior, o cuidado com o corpo e com os cabelos, entre outras questões.

 

O vídeo da feitura das tranças é mesclado com trechos de vídeo em que enterro, em gesto performático, em um ambiente rural, as tranças feitas pela minha mãe, invertendo a posição da cabeça e a dos pés, consequentemente a perspectiva do horizonte. A conversa acontece em torno de histórias da infância e adolescência de minha mãe, histórias essas que se confundem com o contexto geral da vida de várias famílias no interior de Goiás e do Centro-Oeste, pós-anos de 1950. O trabalho não se trata unicamente de uma experiência de retomada de relações entre familiares, mas remete à base da formação do tecido social, histórico e cultural do interior do Brasil e, consequentemente, às condições de desigualdades políticas e sociais que vivemos atualmente.

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