Fundação Bienal do Mercosul

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Obras Públicas

O cenário urbano de Porto Alegre, assim como de qualquer pequena e grande metrópole da América Latina, propicia inúmeras formas de se pensar a Arte Pública.

A Bienal do Mercosul tem como característica deixar obras de arte permanentes à comunidade como um dos legados de cada mostra. Em se tratando de um evento no universo de tantas bienais pelo mundo, essa característica é bastante especial, pois demonstra a estreita ligação da Bienal do Mercosul com a cidade onde está inserida, um aspecto inigualável no panorama internacional das bienais. A Bienal do Mercosul contribuiu, portanto, para a redescoberta dos espaços públicos.

Foi assim ao usar como salas expositivas alguns locais centrais da cidade, como o Cais do Porto, "oculto" da população durante décadas devido ao movimento portuário e ao muro de contenção das cheias. Na 1ª Bienal do Mercosul, desvelaram-se as Oficinas do DEPRC; na 2ª Bienal, o "Prédio das Tesouras"; na 4ª Bienal, os enormes Armazéns do Cais. Na 5ª Bienal, seu papel foi comissionar obras permanentes no belo espaço da orla do Guaíba, junto ao Parque Maurício Sirotsky Sobrinho.

Em 1997, a 1ª Bienal do Mercosul, além de realizar inúmeras ações artísticas efêmeras pela cidade, em espaços urbanos inusitados, tanto públicos quanto privados, propiciou que a capital gaúcha tivesse seu único jardim de esculturas, no Parque Marinha do Brasil, por meio da vertente Esculturas em Espaço Público. Inaugurado em 12 de outubro de 1997, o Jardim das Esculturas abrange dez obras que se adaptam ao espaço verde, onde um grande número de porto-alegrenses usufrui dos seus momentos de lazer. O jardim é formado por obras de Amilcar de Castro, Aluisio Carvão, Francisco Stockinger, Franz Weissmann e Carlos Fajardo, do Brasil; Ennio Iommi, Julio Peres Sanz e Hernan Dompé, da Argentina; Francine Secretan e Ted Carrasco, da Bolívia. A obra do uruguaio Francisco Matto, já falecido na época, foi realizada em Montevidéu e acabou por não ser instalada; porém, ainda faz parte do acervo da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul. Todas as obras utilizaram materiais duráveis, como pedra, aço, concreto e tijolos e foram realizadas em Porto Alegre, com exceção da peça de Enio Iommi, realizada na Argentina. As obras que passaram a fazer parte do "Jardim de Esculturas" somam um valor significativo e foram doadas pelos artistas à Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul.

Em razão da 4ª Bienal, em 2003, uma obra do homenageado da mostra, o gaúcho Saint Clair Cemin, realizada especialmente para o evento, foi posteriormente instalada ao ar livre, em 2004, sendo doada para Porto Alegre.

O projeto curatorial da 5ª Bienal do Mercosul, no vetor Transformações do espaço público, também contemplou quatro obras públicas permanentes, situadas na orla do Guaíba, dos artistas Carmela Gross, José Resende e Mauro Fuke. As obras ao longo da orla do Guaíba participam de uma das paisagens mais bonitas da cidade. Estão distribuídas no trecho que se encontra em frente ao Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, entre a Usina do Gasômetro e a Estância da Harmonia, um pouco antes da ponta arborizada que se lança no lago como um píer.

Aos artistas foi solicitado que não projetassem monumentos para serem contemplados, e sim pensassem obras que pudessem ser literalmente usadas pela população que por ali passeia em suas horas de lazer.

Os trabalhos, construídos na orla do Guaíba, junto ao Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, ficaram cedidos em comodato para a prefeitura da cidade.

Fonte: "Transformações do Espaço Público"