Ryan Gander recorre ao humor quando desenvolve narrativas visuais que incorporam ficção, informações cotidianas, pistas e, inclusive, mentiras. Sua nova escultura Maquette for Culturefield (2009) e o filme As It Presents Itself, Somewhere Vague (2008), apresentados nesta Bienal, trazem propostas ficcionais cujos sujeitos são os elementos próprios do sistema da arte. A escultura toma a forma de um organismo que conjuga cerca de vinte estruturas da história da arte, do desenho e da arquitetura - uma parte da torre Eiffel, as cadeiras Eames, as bicicletas dobráveis Landrover, entre outras - e, como um monstro abstrato, invade o espaço pulcro da arte (representado aqui pela estante, o pedestal e a plataforma branca). De fato, Culturefield é o lugar imaginado pelo artista como um paraíso intelectual em que convivem as melhores ideias, referências e estéticas; e sua maquete atuaria como um mapa mental do imaginário do artista no momento mesmo do processo de construção da obra.