mentira

  • Magritte e a mentira
    Magritte e a mentira Em que medida a obra pode viver uma vez que o criador a tornou possível, mas ela foi imediatamente transcendida ou pelos desígnios do presente ou pela mão ou método escolhido pelo seu autor ou pelo pensamento do espectador? Magritte, mestre da mentira, pronunciava-se claramente a respeito: \"Também não acredito no acaso. Ele serve como mais uma \"explicação\" do mundo. O problema reside justamente em não aceitar nenhuma explicação do mundo nem através do acaso nem do determinismo.\"
  • One11 na mostra Desenho das Ideias

    John Cage escolheu seguir os desígnios do oráculo do I Ching para a composição de várias das suas obras e, nesse sentido, postulou incorporar a vida mesma e seus vaivéns - aceitando seus sons e seus ruídos, mais além de toda notação musical específica - à arte. Longe de todo interesse na mentira (e por extensão, na verdade), Cage abraçava o acaso e, em seu único longa-metragem One11, recorreu ao IC, um programa de computação que executou as 1200 operações de acaso as quais guiaram os movimentos de uma única câmera de luz em um único espaço escuro. O filme enfatiza a importância de uma imagem (que, aqui, é visível, mas em outros trabalhos é mental) que não requer significação, complemento ou artifício, mas que simplesmente é. Por sua vez, no filme, o espaço torna-se indescritível e bem poderia tratar-se de um não-lugar ou um todo-lugar, infinito. 

  • Sobre a obra na 7ª Bienal
    O enorme mural de Iran do Espírito Santo postula uma resposta paradoxal ao propor a existência visual de um quadro ausente; constrói um espaço ilusório cujo efeito é a suspensão dos sentidos enquanto transparece seu caráter de invenção e de construção em forma de cenário ou de um \"pôr em cena\". Assim, o mural resgata e subverte os postulados de Kasimir Malevich, o qual já projetava, há quase um século, o espaço da pintura em direção ao branco infinito, para um estado sublime de espiritualidade absoluta que transcenderia todo espaço propriamente pictórico. Um século depois, essa projeção, esse apelo e essa forte subversão do grau zero da pintura implicam decisões relativas à escolha do controle racional na construção de uma determinada obra: em que medida a obra responde à vontade do autor? Em que medida a obra pode viver uma vez que o criador a tornou possível, mas ela foi imediatamente transcendida ou pelos desígnios do presente ou pela mão ou método escolhido pelo seu autor ou pelo pensamento do espectador?
  • Maquette for Culturefield
    Ryan Gander recorre ao humor quando desenvolve narrativas visuais que incorporam ficção, informações cotidianas, pistas e, inclusive, mentiras. Sua nova escultura Maquette for Culturefield (2009) e o filme As It Presents Itself, Somewhere Vague (2008), apresentados nesta Bienal, trazem propostas ficcionais cujos sujeitos são os elementos próprios do sistema da arte. A escultura toma a forma de um organismo que conjuga cerca de vinte estruturas da história da arte, do desenho e da arquitetura - uma parte da torre Eiffel, as cadeiras Eames, as bicicletas dobráveis Landrover, entre outras - e, como um monstro abstrato, invade o espaço pulcro da arte (representado aqui pela estante, o pedestal e a plataforma branca). De fato, Culturefield é o lugar imaginado pelo artista como um paraíso intelectual em que convivem as melhores ideias, referências e estéticas; e sua maquete atuaria como um mapa mental do imaginário do artista no momento mesmo do processo de construção da obra.

    Ryan Gander recorre ao humor quando desenvolve narrativas visuais que incorporam ficção, informações cotidianas, pistas e, inclusive, mentiras. Sua nova escultura Maquette for Culturefield (2009) e o filme As It Presents Itself, Somewhere Vague (2008), apresentados nesta Bienal, trazem propostas ficcionais cujos sujeitos são os elementos próprios do sistema da arte. A escultura toma a forma de um organismo que conjuga cerca de vinte estruturas da história da arte, do desenho e da arquitetura - uma parte da torre Eiffel, as cadeiras Eames, as bicicletas dobráveis Landrover, entre outras - e, como um monstro abstrato, invade o espaço pulcro da arte (representado aqui pela estante, o pedestal e a plataforma branca). De fato, Culturefield é o lugar imaginado pelo artista como um paraíso intelectual em que convivem as melhores ideias, referências e estéticas; e sua maquete atuaria como um mapa mental do imaginário do artista no momento mesmo do processo de construção da obra.

    construção / ficção / Ficções do Invisível / humor / linguagem / referência / subversão de estereótipos e convenções