Curadoria Editorial
A curadoria editorial da 7ª Bienal do Mercosul foi concebida em total sintonia com o processo de concepção e construção das dinâmicas e conteúdos da própria Bienal.
Inclui três áreas de trabalho:
Esta curadoria propõe vincular-se e trabalhar com todos os programas, projetos e obras da 7ª Bienal a partir do entendimento de que todo ponto de vista oferece um panorama igualmente complexo mesmo que diferente. Se pensarmos que a curadoria editorial se move como a câmera dos arquitetos e designers Charles y Ray Eames, Powers of Ten (1977), que se distancia progressivamente até o infinito para, em seguida, realizar uma aproximação também infinita e penetrar em células subatômicas, o público poderá acessar a Bienal a partir de muitos pontos de vista, todos igualmente complexos e diferentes. Isto respeita o desenvolvimento conceitual de cada uma das exposições, mas ao mesmo tempo cria a possibilidade de organizar diversos sistemas de leitura - segundo o ponto de vista de distância da obra - que entre si têm um desenvolvimento orgânico. Estes sistemas tomarão forma em publicações de diversos formatos e, em muitos casos, serão de grande tiragem e de baixo custo, distribuídas nas salas de exposição e complementarão a experiência de cada uma das mostras.
Múltiplas vozes e pontos de vista aparecem durante o processo de construção de uma exposição tão complexa como é a 7ª Bienal. Às vezes, essas vozes e pontos de vista entram em conflito. Acreditamos que esta multiplicidade deve ser mostrada ao invés de ser equalizada através de uma única voz onisciente e, literalmente, monótona. Em resposta a isso, concebemos o Projeto Editorial como uma plataforma experimental que busca maneiras de tornar visível essa multiplicidade; uma espécie de laboratório. Como tal, as relações entre palavra e imagem, entre trabalho e discurso, devem ser colocadas em questão. Nos referimos especificamente ao ideal de uma representação transparente implícita nessa única voz onisciente e monótona. O projeto desenvolve uma série de estratégias gráficas que deixam opaco - e, portanto, visível - o que pretende ser transparente. Neste sentido, o projeto editorial está particularmente interessado na forma como as ideias se articulam e nas implicações teóricas dessas maneiras de dizer as coisas.
Editorial Project
In the process of constructing a complex exhibition like this one, a multiplicity of often conflicting voices and points of view emerge. It is our conviction that this multiplicity must be exposed and not equalized through a single, monotone, omniscient voice. To address this, we have devised an editorial project that functions as an experimental platform that finds ways to make this multiplicity visible; a laboratory of sorts. As such, the relationship between word and image, and between work and discourse, is questioned. Specifically, we interrogate the ideal of transparent representation implicit in that single, monotone, omniscient voice. The project deploys a number of graphic strategies to render what is transparent, opaque. In this sense, the editorial project is particularly concerned with the way things are said and with the theoretical implications of those ways of saying.
The Editorial Project also seeks to become an integral part of, and work in conjunction with, all the Biennial's programs and projects. We conceive of this Project as operating like the camera of architects Charles and Ray Eames, in the film Powers of Ten (1977), which zooms out gradually into the infinite realm of space, to then effect an equally infinite zoom in, penetrating into the hand of a man, the cells that make up that hand, the atoms that compose those cells and the subatomic particles that constitute those atoms. All along that infinite zoom in (and zoom out) something becomes clear: all points of view are equally complex, though different. Following this model, the public will be able to access the Biennial from many varied and complex points of view. This implies respecting the conceptual development of each one of the exhibitions, while also constructing different systems of visualization and reading, depending on the distance from the work in question. These different systems will take the shape of publications in a variety of often low-cost and mass-produced formats. Available in the exhibition spaces themselves, these publications will serve to complement the experience of each one of the Biennial's exhibitions.