Edgardo Antonio Vigo

  • Humor
    A vontade de quebrar parâmetros e convenções instauradas encontra um importante aliado no humor, que podemos caracterizar, seguindo Mijaíl Bajtín, como a \"alegre relatividade de qualquer regime ou ordem social, de qualquer poder e de qualquer posição (hierárquica)\". O humor e suas formas - a paródia, a sátira, o grotesco, a ironia - postulam a ambivalência, a possibilidade de observar uma mesma realidade a partir de pontos de vista antagônicos para, assim, desestabilizar, por um momento, poderes, hierarquias, regras e tabus.
  • (in) film por Edgardo Antonio Vigo. Blanco sobre blanco. Homenaje a Kasimir Malevich (1969)
    Em sintonia com as propostas concretas da época, Vigo destaca-se desde os anos cinquenta por seu amplo labor nos campos da poesia visual e da poesia gráfica; neles, recorreu à instrução como uma ferramenta de trabalho que lhe permitia questionar a autoridade dos pressupostos e conhecimentos compartilhados. Um exemplo é La cuadratura del universo (1990), que lembra os suprematistas Xénia Bogouslavskaïa e Pougny, quando, já em 1915, postulavam: \"2 x 2 dá tudo o que quisermos, exceto quatro\".[1] Ou, recorrendo ao paradoxo como é usual no seu trabalho, no seu projeto (in) film por Edgardo Antonio Vigo. Blanco sobre blanco. Homenaje a Kasimir Malevich (1969), Vigo articulava tanto um assinalamento sobre o valor do branco enquanto espaço de pura possibilidade como também uma proposta tautológica, não sem humor, sobre a condição mesma da imagem e, no caso, do cinema.  [1] Trata-se de uma das declarações dos suprematistas no folheto distribuído com o título \"L\'Exposition ‘0-10\' et la Conférence de Malevitch\" durante a exposição Dernière exposition futuriste, 0-10. Reproduzida em K. Malévitch, Le miroir suprématiste, Lausanne, Editions l\'Age d\'Homme S. A., 1977,  p. 152.
  • A imagem
    A imagem tem transitado por inúmeras etapas ao longo da sua história: foi codificada para dar lugar à escrita; foi negada por ser considerada indigna de adoração; foi reverenciada por sua semelhança em relação à realidade circundante; foi abstraída sob divinas premissas medievais ou perante a procura de um grau zero vanguardista; foi desmaterializada sob alegações conceituais. Na exposição Desenho das Ideias, procuramos explorar a dissonância proposta pelas imagens da arte. Como podem provocar? Qual a eloquência e a pertinência da imagem? Pode ela transcender sua própria visualidade? É desejável essa transcendência? Quais características poderia ter uma imagem que propõe a escuta como estado principal de contemplação e de percepção? Quais características poderia ter uma imagem que propõe um questionamento radical sobre as categorias do espaço, do tempo e sobre o conhecimento?\" - VN
  • fazer multiplicado
    \"Todo artista contemporâneo tangencia esse fazer multiplicado: é característica do campo que legitima sua condição e posibilidade, neste início de século XXI, delineá-lo(a) como personagem em contínuo deslocamento através de práticas, saberes e discursos, dotado(a) de certos recursos técnicos e conceituais que possibilitam esse deslocamento-ao menos potencialmente. (...) Na construção efetiva de sua manobra de intervenção frente ao circuito, tal artista somente pode aspirar a qualquer grau mínimo de autonomia (ou seja, o resguardo de sua capacidade de deslocamento) se comprender seu fazer como un conjunto de práticas que incorporam não apenas as questões ditas plásticas, como as percebe como co-extensivas às práticas do agenciamento, da curaduria e da crítica.\" - Ricardo Basbaum, \"Deslocamentos rítmicos: O artista como agenciador, como curador e como crítico\"
  • Agitadores do dia e da noite
    \"Variar o sistema que nos governa e mudar as estruturas tradicionais no que se refere aos meios que moveram a arte até os nossos dias, romper com os espaços interiores], sair e ganhar a rua, formam em seu todo a \"NOVA ATITUDE DOS AGITADORES DO DIA E DA NOITE\", que se propõem a realizar pela primeira vez uma \"revulsão\" que não seja apenas formal e estética, mas uma MUDANÇA REAL DE VIDA.  A \"obra\" pesa e cria uma série de limitações reais (a posse da mesma e, portanto, sua acumulação) detém nossa dinâmica  e, posteriormente, nos captura para um destino pequeno burguês. [...] \"REVULSIONAR\" é a palavra para a atitude limíte da arte atual e, portanto, insisitimos que a \"obra\" morre para dar espaço a outro elemento, A AÇÃO. Este baseia-se principalmente em despertar atitudes de tipos gerais por planos estéticos abertos e que buscam dentro deste terreno expandir sua ação revulsiva a outros campos. Não há um outro método possível senão a batalha dentro do nível estético (no campo da arte, é claro) para obter essa mudança, mas a mudança \"revulsiva\" não deve ser apenas nas formas da coisa, mas na profundidade e no próprio interior da mesma, e se buscarmos o interior, chegaremos ao mental, ou seja, à proposta mais que à realização. Esta deverá ser concretizada pela participação posterior e julgamento, uso ou descarte das propostas-chave. Esta, por sua vez, não se converte em um tirano condicionador de liberdades de AÇÃO, mas pelo contrário, a promove asistematicamente.\" - Edgardo Antonio Vigo, \"La calle: escenario del arte actual\" (1971),  en Hexágono \'71, La Plata, 1972.
  • Projetista
    \\\"Não está isento de controvérsia um termo que encarne o novo papel do criador artístico. O que foi descartada é a utilização do termo \\\"artista\\\". [...] Neide de Sá propõe o nome de \\\"programador\\\"; os italianos, de \\\"operatori\\\"; Julien Blaine os classifica como \\\"provocadores para fazer\\\". Destas três propostas, a mais certeira pareceria ser a de Neide de Sá. O uso do termo \\\"operatori\\\" seria, por sua ação - é isso que a palavra significa -  mais correto para definir aquele que concretiza o projeto (nós preferimos o \\\"armador\\\"), e o de Julien Blaine é mais a definição da função que deve ser cumprida pelo \\\"projetista\\\", pois este se converteria em um \\\"provocador para fazer\\\". Propomos o termo \\\"PROJETISTA\\\" por ser uma derivação direta de \\\"projeto\\\". E, para completar, chamaríamos de \\\"PROJETISTA-PROGRAMADOR\\\" à conjunção em equipe para a realização de complexos não individuais.\\\" - Edgardo Antonio Vigo, \\\"Un arte a realizar\\\",  en Ritmo (La Plata), núm. 3, 1969.

Edgardo Antonio Vigo (La Plata, Argentina, 1928-1997) Artista visual, poeta e editor, trabalhou como empregado judicial e docente especializado em desenho, egresso da Escuela Superior de Bellas Artes da Universidad Nacional de La Plata. Criador da revista Diagonal Cero (1962-68), uma plataforma de difusão de linguagens experimentais. A partir de 1968 realizou seus señalamientos, ações orientadas a deslocar a percepção corrente, com o propósito de ativar uma visão atenta sobre o potencial poético do objeto cotidiano sinalizado. Realizou incursões nas práticas da arte da ação, a performance, a arte conceitual, a arte correio, a xilografia, a poesia visual, e a edição de revistas e objetos, entre outros. Trabalhou junto a Horacio Zabala e Juan Carlos Romero; o Grupo de los Trece (CAyC); Juan Bercetche, Eduardo Leonetti e - sob a alcunha de G.E. Marx-Vigo - com Graciela Gutiérrez Marx, durante sete anos. Manteve ativa correspondência com Clemente Padín (Uruguai), Augusto e Haroldo de Campos (Brasil), Paulo Bruscky (Brasil), entre outros referentes da arte correio internacional. Fundou o Museo de la Xilografía (1967), um museu ambulante de inspiração duchampiana contido em caixas e valises. Editou também seus Poemas Matemáticos Barrocos na França (1967), organizou a Expo/Internacional de Novísima Poesía no Centro de Artes Visuales del Instituto Torcuato Di Tella (1969), em seguida apresentada no Museo Provincial de Bellas Artes de La Plata. Participou em numerosas exposições internacionais e realizou intercâmbio de obras e edições com poetas visuais do mundo. Em 1994 integrou o envio oficial argentino à XXII Bienal Internacional de São Paulo junto de Líbero Badii e Pablo Suárez, e em 1997 participou da 1ª Bienal do Mercosul. Sua obra está sendo objeto de um renovado interesse e incluída recentemente em exposições que propõem uma revisão crítica de sua herança no mapa dos conceitualismos latino-americanos, tais como: MAQUINAciones, Centro Cultural de España en Buenos Aires, Buenos Aires (2008), em itinierância no MACRO-Castagnino, Rosario e Museo Caraffa, Córdoba (2009); No-Arte-Si. Itinerarios de la vanguardia platense La Plata. Buenos Aires 1960-1970, Museo de Arte Contemporáneo Latinoamericano (MACLA), La Plata (2007); Arte Nuevo en La Plata 1960-1976, Centro Cultural Recoleta, Buenos Aires (2007), entre outros.

 

Edgardo Antonio Vigo (La Plata, Argentina, 1928-1997). Artista visual, poeta y editor, trabajó como empleado judicial y docente especializado en dibujo, egresado de la Escuela Superior de Bellas Artes de la Universidad Nacional de La Plata. Creador de la revista Diagonal Cero (1962-1968), una plataforma de difusión de lenguajes experimentales. A partir de 1968 realizó sus señalamientos,  acciones orientadas a dislocar la percepción corriente, con el propósito de activar una mirada atenta sobre el potencial poético del objeto cotidiano señalizado. Realizó incursiones en las prácticas del arte de la acción, la performance, el arte conceptual, el arte correo, la xilografía, la poesía visual y la edición de revistas y objetos, entre otros. Trabajó junto con Horacio Zabala y Juan Carlos Romero; el Grupo de los Trece (CAyC); Juan Bercetche, Eduardo Leonetti y -bajo el apodo G.E. Marx/Vigo -con Graciela Gutiérrez Marx, durante siete años. Mantuvo activa correspondencia con Clemente Padín (Uruguay), Augusto y Haroldo de Campos (Brasil), Paulo Bruscky (Brasil), entre otros referentes del arte correo internacional. Fundó el Museo de la Xilografía (1967), un museo ambulante de inspiración duchampiana contenido en cajas y valijas. Editó también sus Poemas Matemáticos Barrocos en Francia (1967), organizó la Expo/Internacional de Novísima Poesía en el Centro de Artes Visuales del Instituto Torcuato Di Tella (1969), luego presentada en el Museo Provincial de Bellas Artes de La Plata. Participó de numerosas exposiciones internacionales y realizó intercambio de obras y ediciones con poetas visuales del mundo. En 1994 integró el envío oficial argentino a la XXII Bienal Internacional de São Paulo, y en 1997 participó en la 1ª Bienal do Mercosul. Su obra ha sido incluida en exposiciones que proponen una revisión crítica de los conceptualismos latinoameticanos, entre las que podemos destacar: En los márgenes del arte. Creación y compromiso político, Museu d'Art Contemporani de Barcelona, Barcelona (2009); MAQUINAciones, Centro Cultural de España en Buenos Aires, Buenos Aires, MACRO-Castagnino, Rosario y Museo Caraffa, Córdoba (2008 y 2009); No-Arte-Sí. Itinerarios de la vanguardia platense La Plata. Buenos Aires 1960-1970, Museo de Arte Contemporáneo Latinoamericano, La Plata (2007); Arte Nuevo en La Plata 1960-1976, Centro Cultural Recoleta, Buenos Aires (2007), entre otras.

 

Edgardo Antonio Vigo was born in La Plata, Argentina in 1928 and died in 1997. He was a visual artist, poet and editor, and worked as a Professor of Drawing, at the Escuela Superior de Bellas Artes of the Universidad Nacional de La Plata, as well as a law officer. He was the founder of the magazine Diagonal Cero (1962-68), a publication with which to disseminate practices of experimental language. As from 1968 he began his señalamientos, urban and private actions and performances which aimed to activate a more attentive perception over the poetic potential of daily objects/ signs. Vigo delved into different art practices, from performances, to conceptual art, mail art, xylography, visual poetry, and the publication of magazines and objects, among others. He worked with Horacio Zabala and Juan Carlos Romero; the Grupo de los Trece (CAyC); Juan Bercetche, Eduardo Leonetti and, under the nickname G.E. Marx-Vigo, with Graciela Gutiérrez Marx, for seven years. He maintained active correspondence with Clemente Padín (Uruguay), Augusto and Haroldo de Campos (Brazil), Paulo Bruscky (Brazil), among other significant figures in the sphere of international mail art. He founded the Museo de la Xilografía (1967), a Duchamp inspired mobile museum which travelled in boxes and suitcases. He also published his Poemas Matemáticos Barrocos in France (1967), and organized the Expo/Internacional de Novísima Poesía at the Centro de Artes Visuales del Instituto Torcuato Di Tella (1969), which was then presented at the Museo Provincial de Bellas Artes de La Plata. He took part in numerous international exhibitions and engaged in the exchange of works and publications with other international visual poets. In 1994 he was part of the official Argentinean representation at the XXII Bienal Internacional de São Paulo together with Líbero Badii and Pablo Suárez, and in 1997 he participated in the 1ª Bienal do Mercosul. His work is currently the subject of renewed interest and has been included in recent exhibitions proposing a critical review of his legacy on the map of Latin American conceptualism. These exhibitions include: MAQUINAciones, Centro Cultural de España en Buenos Aires (2008), traveling to MACRO-Castagnino, Rosario and Museo Caraffa, Córdoba (2009); No-Arte-Si. Itinerarios de la vanguardia platense La Plata. Buenos Aires 1960-1970, Museo de Arte Contemporáneo Latinoamericano (MACLA), La Plata (2007); and Arte Nuevo en La Plata 1960-1976, Centro Cultural Recoleta, Buenos Aires (2007), among others.